Sobre esta série
Começa hoje, aqui no Regionaliza, em nossa coluna, uma nova proposta: Ponto de Virada. A proposta é simples de explicar e difícil de praticar — falar, toda semana, sobre a mudança que depende só de você. Não vamos discutir aqui o que a prefeitura deveria fazer, o que o próximo governo promete ou quem merece seu voto em outubro. Isso tem espaço de sobra no noticiário e em outras colunas, inclusive nas que já escrevo. Ponto de Virada nasce para tratar do que raramente vira manchete, mas é o que realmente decide o tamanho da vida de cada leitor: carreira, mentalidade, marca pessoal e a coragem de se relacionar de verdade num mundo cada vez mais de tela. Toda semana, um assunto, uma provocação, um convite para agir. Vamos começar pelo assunto mais urgente do calendário: o tempo que ainda resta neste ano.
Faltam quatro meses. O que você ainda não começou?
Todo mês de janeiro, o campista faz a mesma lista: emagrecer, juntar dinheiro, abrir o próprio negócio, sair daquele emprego que não leva a lugar nenhum. Todo mês de dezembro, boa parte dessa lista está intacta, empurrada mais uma vez para o "ano que vem". E aí o ciclo recomeça, como se o calendário virando fosse capaz de fazer o trabalho que só a ação faz.
Estamos em setembro. Faltam pouco mais de três meses para o fim de 2026. Essa conta simples incomoda — e deveria incomodar. Não porque o ano esteja perdido, mas porque ele ainda não terminou, e a maioria das pessoas já decidiu, sem perceber, que só vai voltar a tentar em janeiro.
Por que a promessa de ano novo quase nunca vira realidade
O problema raramente é falta de vontade. É a forma como a meta é feita. "Vou empreender em 2027" não é um plano, é um desejo com data solta. Sem prazo curto, sem primeiro passo definido, sem nada que cobre satisfação em quinze dias, qualquer meta grande demais e distante demais perde pra rotina — pro cansaço do dia, pro boleto que venceu, pra notificação do celular.
Isso é ainda mais verdade num ano de eleição, como este. É fácil terceirizar a esperança: esperar que o próximo prefeito, o próximo vereador, resolva o que só depende de cada um. Enquanto isso, o ano passa — e a vida de quem espera muda menos do que a de quem decide agir com o que tem, hoje, independente de quem for eleito em outubro.
O que muda quando o prazo é curto
Três meses é pouco tempo para reinventar uma vida inteira. É tempo mais do que suficiente para provar uma coisa: que você é capaz de terminar o que começa. E é isso que costuma faltar — não o plano perfeito, mas a prova real de execução.
Três frentes cabem no que resta de 2026, e nenhuma delas depende de eleição, de prefeitura ou de sorte:
Mentalidade empreendedora — parar de tratar toda ideia de negócio como um projeto de um dia distante e testar uma versão pequena dela ainda este mês, com o que já se tem em mãos, sem esperar o cenário ideal que nunca chega.
Marca pessoal — assumir publicamente aquilo que você já faz bem, no bairro, no comércio, nas redes. Quem não aparece não é lembrado, e quem não é lembrado não é procurado. Isso vale para o eletricista, o cabeleireiro, o pequeno comerciante e o profissional liberal de Campos.
Relacionamento real — nas redes sociais, mais do que nunca. Nunca estivemos tão "conectados" e tão sozinhos ao mesmo tempo. Usar a rede social pra se aproximar de gente de verdade — cliente, parceiro, vizinho — e não só pra rolar feed comparando a própria vida com a vida editada dos outros, é uma escolha diária, não um talento raro.
O convite
"O ano só vai valer a pena se os últimos três meses dele valerem."
Ponto de Virada nasce para ser esse tipo de provocação semanal: sem discurso de político em ano de eleição, sem esperar a cidade mudar sozinha. Faltam quatro meses para 2027. A pergunta não é o que você vai prometer para o ano que vem. É o que você ainda vai fazer com o que resta deste — e a partir de hoje, vamos tratar disso aqui, toda semana.


